Wednesday, May 24, 2006

Coisas que eu podia ter dito

Tuesday, May 23, 2006

Para tirar do sério qualquer um

Não é que numa época destas ainda há alguém no ministério da defesa ou na hierarquia militar que pensa que é boa ideia estoirar uns milhões de euros em mais material bélico para o qual não temos uso????

Ou seja, traduzindo a situação: há alguém no ministério da defesa e na marinha que está com uma vontade louca de receber umas luvas. Não existindo mínimo interesse no como pagar e na escolha de uma péssima altura.

Entre burocratas desejosos de embolsar e soldadinhos de chumbo que querem brinquedos novos ficamos mal servidos.

Saturday, May 20, 2006

Precisamos de mais jacobinos

Uma das poucas medidas boas que vejo o governo do PS tomar: excluir a Igreja Católica do protocolo de Estado.

Já não era sem tempo que se acabasse com esta situação de privilégio por parte da Igreja, ao fim de 30 e tantos anos de democracia (mais ou menos disfuncional) alguém resolveu cortar com os laços religiosos estabelecidos no tempo da outra senhora.

Obviamente que não devemos ser induzidos em erro por opiniões que indicam que se trata de uma questão de respeito ou pior ainda: de representatividade dos católicos.

1) Não se trata de uma questão de respeito da República por uma instituição milenar por várias razões:
a) A Igreja nunca mostrou a mais pequena simpatia pela República: traiu-a por várias vezes depois da revolução de 1910 e vendeu-a ao totalitarismo fascista com a promessa de monopólio espiritual. Depois da revolução de 1974 foi sempre uma força de regressão e estagnação social.
b) O “respeito” tem muitas interpretações, começando por uma interpretação secular e religiosa tolerante e terminando na interpretação religiosa rigorista. A primeira implica que se compreende que o que pessoas livres decidem no campo da religião só a elas diz respeito, o estado nem aprova nem desaprova, simplesmente abstém-se de tomar posição - este modelo permite a convivência pacífica de várias crenças. A segunda, preferida pela Igreja Católica, significa que se deve fazer o que a Igreja diz e quer ou então está-se a violentar a livre vontade religiosa - esta opinião é manifestamente hipócrita por que voluntariamente confunde o que é público ou estatal com o que é individual.
c) O facto de ser antiga não lhe deve conceder privilégios num sistema de liberdade religiosa.

2) Pegando no outro ponto, a representatividade dos católicos:
a) O objectivo do protocolo de estado é representar os órgãos desse mesmo estado e não organizações que lhe são exteriores, independentemente da sua representatividade em diversos campos (religioso, cívico, desportivo...).
b) Se os católicos são representados os muçulmanos também têm o mesmo direito e os judeus também e sem esquecer os movimentos neo–pagãos (mais uma vez, assumindo que o desejável é um regime de liberdade e igualdade religiosa).
c) Os que não pertencem a uma religião como é que ficam? São representados por freguesia? Por clube de futebol?

Parece-me ainda importante fazer umas notas quanto à representatividade da Igreja Católica. Penso que é uma organização que sabe jogar com os números e apesar de saber que eles não correspondem à realidade usa isso como arma política:
1) Muitos baptizam as suas crianças e nunca mais pensam no tema da religião, dizer que essa criança é um católico é um exercício de pura imaginação. A religião é para a maioria uma questão de folclore e não de crença ou vivência.
2) A esmagadora maioria dos que se dizem católicos apenas o são de uma forma nominal já que: a) Não possuem o mais básico conhecimento sobre a religião que professam (como se pode ser um crente a 100% se não se sabe exactamente aquilo em que se acredita?) e b) Ignoram a Igreja católica nas suas escolhas pessoais, indo em contra a “sua” própria doutrina.

Depois disto resta-me acrescentar que para o nosso regime de liberdade religiosa ser mais autêntico tem que se acabar com outras duas figuras:
1) A concordata, o último vestígio do estado novo.
2) A Comissão de Liberdade Religiosa, para uma autêntica liberdade religiosa não podemos ter membros de umas quantas religiões a julgar todas as outras.

Friday, May 12, 2006

Coisas mal pensadas

Tarde demais para a resolução do problema iraniano.

Branquear o indefensável, lá porque as teorias da conspiração estão erradas isso não ajuda às relações públicas da Obra...

Uma das razões da falta de autoridade moral dos EUA continua na mesma.

Confiar o nosso abastecimento de recursos energéticos a países instáveis.

Thursday, May 11, 2006

Interessantes

Os pontos de vistas sobre a legalização da prostituição no armadilhaparaursosconformistas, para variar (!!) não estou de acordo com a autora do post.

Penso que qualquer discussão sobre este tema tem que bater num ponto essencial: no direito, indiscutível, que todos nós temos sobre o nosso próprio corpo. Ora se tomamos este ponto como assente a lógica da proibição legal sobre a prostituição desaparece.

O que esta conclusão NÃO implica é a aceitação da actual situação em que a prostituição é um negócio gerido por máfias e elementos mais ou menos sombrios. Estas devem ser combatidas pela mesma razão que a proibição deve desaparecer: representa uma coerção sobre algo que pertence a um indivíduo. No primeiro caso é sociedade que se arroga no direito de impor restrições no segundo é um conjunto de rufias sem escrúpulos – de qualquer forma, as duas situações são indesejáveis.

Em nome do combate ao crime organizado, ou ao terrorismo, ou a qualquer outra coisa não devemos entrar no caminho das abolições do indivíduo e do que lhe pertence.

Monday, May 08, 2006

The wrethched of the Earth

«Come, then, comrades; it would be as well to decide at once to change our ways. We must shake off the heavy darkness in which we were plunged, and leave it behind. The new day which is already at hand must find us firm, prudent and resolute.
We must leave our dreams and abandon our old beliefs and friendships of the time before life began. Let us waste no time in sterile litanies and nauseating mimicry. Leave this Europe where they are never done talking of Man, yet murder men everywhere they find them, at the corner of every one of their own streets, in all the corners of the globe. For centuries they have stifled almost the whole of humanity in the name of a so-called spiritual experience. Look at them today swaying between atomic and spiritual disintegration.
And yet it may be said that Europe has been successful in as much as everything that she has attempted has succeeded.
Europe undertook the leadership of the World with ardour, cynicism and violence. Look at how the shadow of her palaces stretches out ever farther! Every one of her movements has burst the bounds of space and thought. Europe has declined all humility and all modesty; but she has also set her face against all solicitude and tenderness.
She has only show herself parsimonious and niggardly where men are concerned; it is only men that she has killed and devoured.
So, my brothers, how is it that we do not understand that we have better things to do than to follow that same Europe?
That same Europe where they are never done talking of Man, and where they never stopped proclaiming that they were only anxious for the welfare of Man: today we know what sufferings humanity has paid for every one of their triumphs of the mind.
Come, then, comrades, the European game has finally ended; we must find something different. We today can do everything, so long as we do not imitate Europe, so long as we are not obsessed with catching up with Europe.
Europe now lives at such a mad, reckless pace that she has shaken off all guidance and all reason, and she is running headlong into the abyss; we would do well to avoid it with all possible speed.
Yet it is very true that we need a model, and that we want blueprints and examples. For many among us the European model is the most inspiring. We have therefore seen […] to what mortifying set-backs such an imitation has led us. European achievements, European techniques and the European style ought no longer to tempt us and to throw us off our balance.
When I search for Man in the technique and the style of Europe, I see only a succession of negations of Man, and an avalanche of murders.
The human condition, plans for mankind and collaboration between men in those tasks which increase the sum of total humanity are new problems, which demand true inventions.
» - Frantz Fanon
Sem dúvida que sair do “xadrez” da política tradicional é um desafio, que se fosse superado produziria resultados extraordinários... mas como todos os sonhos falta-lhe substância.

Saturday, May 06, 2006

Aviso

À família, amigos e restantes simpatizantes do PP (ou CDS, ou como preferirem): o partido é irrelevante e completamente impermeável a mudanças de atitude. O PP é daquelas instituições políticas que devia receber uma nova designação para a enquadrar com a realidade do que defende: lobby dos industriais nacionalistas quando nos convém ou grupo de pressão conservador.

Mas também não é nada que não soubessem já. A inocência já morreu há tanto tempo mas ainda há quem se agarre desesperadamente ao cadáver. Começa a cheirar mal...

Respostas à altura

Há pessoas que têm o dom de nos tirar do sério. Esse é o caso de um dos meus colegas que acabou de enviar um email (sim, num Sábado...) que até faz espumar de raiva. Então não é que ao fim de pedir durante meses que falem com ele sobre os resultados da sua actividade e que proporcionem feedback eu finalmente acedi e disse-lhe que os prazos das propostas dele não eram realistas o que diminuía muito a sua utilidade para a equipa.

O que eu fui fazer... Começou a chuva de acusações dos “ofendidos”: nunca nos disse nada e agora arrasa-nos completamente, a responsabilidade também é sua, não é uma participação positiva, espero que segunda venha com melhor disposição, etc.

Eu estou tentado a escrever um email com baboseiras do género: óptimo, continuem que estão no bom caminho, acho os prazos óptimos, maravilha, eu estou tão feliz e contente que tenho vontade de chorar. Só para ver se já podem ser consideradas como contribuições positivas.

Fica a dica: quem não for super simpático e não bajular os colegas dia sim, dia sim passa a ser considerado uma ameaça ao espirito construtivo da equipa. Atura-se cada um...

Friday, May 05, 2006

O ensino e a suas doenças

Seguindo conselho que me deram volto ao tema da educação. A educação superior é realmente suposto ensinar mais que um conjunto de técnicas e procedimentos específicos de uma dada profissão. Uma das suas maiores vantagens seria, teoricamente, proporcionar uma maior independência e agilidade mental - em resumo: ampliar horizontes e pensamentos.

Há cursos e áreas que se adaptam mais a isto que outros. Os que são eminentemente técnicos (engenharias, saúde e afins) regra geral são aqueles em que se torna mais complicado inserir um conteúdo extra técnico, algo que provavelmente se assemelharia a uma componente de ciências humanas. O que é preocupante é que nem nas áreas das ciências humanas parece existir pensamento por parte do corpo académico e principalmente por parte dos estudantes. O que vemos é estudantes que, para além de não terem (na sua maioria) nenhuma paixão pelas áreas que estudam, não fazem rigorosamente mais nada do que aquilo que for exigido para o exame.

Sem querer ser “médico” e diagnosticar os males do paciente gostava de deixar algumas notas sobre o que leva a isto:

1) O conteúdo de ciências humanas no ensino não universitário é medíocre, regra geral limita-se a uma perspectiva histórica das disciplinas sem incidir muito nas questões básicas.

2) O debate não é incentivado, é um dos problemas de um ensino derivado da era industrial, parte do principio da passividade do aluno (o ouvir, calar e repetir tudo no exame).

3) A falta de um sistema que detecte e direccione o talento numa fase inicial. O que leva a maioria dos alunos a andar no ensino porque não têm nada melhor para fazer da vida. Não sabem o que querem ou o que não querem, andam de situação em situação até a coisa se ajeita (incluindo a escolha de curso e área profissional).

4) A própria falta de ética por parte dos professores universitários que muitas vezes confundem as aulas das suas matérias específicas com aulas de ideologia (ainda me lembro de ter a infeliz ideia de um dia ir à Católica ver um discurso do César das Neves... doutrinação do princípio ao fim – e o mais triste é que ele até podia ter justificado algumas das suas posições de forma sólida, mas para isso era preciso ter o desejo de ser intelectualmente honesto e racional em vez de dar discursos retóricos a uma manada que aplaude tudo o que se disser).

5) A percepção de que ser licenciado é sinal de qualidade intelectual. Não é! Um bom intelectual não precisa de um diploma académico (pode ser autodidacta), precisa é de ser rigoroso e de saber pensar por si próprio. Este síndroma de superioridade leva a uma falsa confiança que se esvaí na primeira conversa séria que estes licenciados tiverem com alguém que perceba do tema.

Bem isto podia continuar por muito muito tempo mas sinceramente falta-me a paciência para ser exaustivo. Apenas fico contente por ter tido dois grandes professores de liceu (de filosofia e literatura) que me ensinaram a ver o mundo por muitas perspectivas e que me ajudaram a dar os primeiros passos no pensamento autónomo.


Questões extra para quem quiser partir a cabeça e perder o juízo:
- Porque que é que pensamos que um sistema de educação completamente derivado de sistemas de produção em massa da era industrial produziria bons profissionais e acima de tudo bons pensadores?

- Porque que é que pomos a nossa educação superior nas mãos de políticos reformados que se tornam professores de universidade e de "yes men" que aceitam tudo o que for posto à sua frente (o que significa que nunca serão uma ameaça para ninguém)?

- Se o estudante nunca na vida académica esteve motivado para nada porque haveria de se tornar num excelente profissional?

- Como se pode esperar que os jovens sejam extraordinários se aqueles que mostram potencial são “sufocados” pelos cretinos que estão à frente das instituições? (isto acontece por vezes porque os jovens significam mudança ou uma alteração do status quo mas principalmente porque regra geral são melhores profissionais que ameaçam expor a incompetência de lambe botas e políticos de terceira categoria que se engraçam perante os poderes)

- Como é que o ensino pode mudar radicalmente para lidar com o mundo e com as alterações em cada área específica se à frente dos departamentos universitários se encontram, muitas vezes, dinossauros inflexíveis que definem tudo em questões de ego e de penacho e para quem um bom professor tem que ter pelos menos 40 e tal anos no mínimo? O que aconteceu ao amor ao conhecimento que é suposto definir o ensino?

Teorias



Dois filmes realmente assustadores (pessoalmente o JFK é bastante melhor). Entre a ficção, as teorias da conspiração e a realidade do que se passou ou do que vivemos hoje em dia é complicado destinguir qual é pior.

Para os crentes do mundo cor de rosa que poderão ficar perturbados este blog pede desculpas e promete regressar à emissão normal dentro de momentos (não que isso os ajude muito...)

Wednesday, May 03, 2006

A corrupção

A corrupção é, e sempre foi, um dos sinais mais óbvios de que algo está muito mal na estrutura socio-económica do país. No caso português a coisa é mais engraçada porque combinamos a corrupção com um dos nossos traços mais desprezíveis: o fingir que nada se passa. Durante 40 e tal anos de ditadura todos assobiaram para o ar e foram à sua vida como se nada de estranho se passasse e com a corrupção fazemos o mesmo. Fingimos que não sabemos, não vemos, nunca aconteceu ou a minha favorita “isso foi você que interpretou mal”.

A corrupção é um crime muito complicado de combater pela simples razão que não é fácil provar e alguém que apresente queixa arrisca-se ou a fazer de parvo em tribunal ou mesmo a ser processado por difamação ou outra coisa qualquer. Os pequenos corruptos jogam com isto, sabem que provar é quase impossível e que têm plena liberdade para extorquir o que entenderem. Ainda me lembro de quando há cerca de 10 anos a minha família quis fazer umas obras no prédio onde morávamos (obras que não eram com fins estéticos) e teve que se pedir uma autorização a não sei quem na câmara municipal. A Sra. que nos recebeu arranjou mil uma formas de indicar (não tão subtilmente) que se o projecto era para ir para a frente ela teria que receber algo ou então bloqueava a coisa de toda as formas possíveis e imaginárias.

O meu caso não é peça única e acho que todos nós já encontrámos pelo menos uma vez casos semelhantes. O problema é que não são só meia dúzia de funcionários burocráticos locais que praticam isto. Antes fosse assim. Quem sabe como funcionam as compras de material para hospitais, exército, ministérios, obras públicas, etc? Ah pois é, todos estamos cansados de saber que as coisas não são exactamente transparentes (outro exemplo, um médico conhecido meu pediu um aparelho x para o seu departamento e meses mais tarde recebeu o aparelho y que era 3 vezes mais caro e fazia praticamente o mesmo – a sua decisão profissional foi anulada pela de um burocrata que nada percebe de medicina mas que “inocentemente” achou que aquele era o melhor equipamento).

Para terminar este “rant” num tema tão desagradável gostava apenas de falar do caso das reformas dos políticos. Não as reforma que recebem como pensão mas sim os cargos em empresas privadas que ocupam quando saem do estado (assembleia ou outro qualquer). Todos sabem que ser político é a forma mais rápida de fazer carreira como consultor no sector privado, curiosamente (e por motivos misteriosos) as empresas gostam de ter manadas de ex-políticos em reserva nos seus quadros. Eu pergunto-me se será pela excelente qualidade dos profissionais ou se pelas cunhas que meteram e os favores que prestaram quando ocuparam cargos e pelos que podem continuar a prestar conhecendo o meio como conhecem.

Isto tudo leva-nos a uma inevitável e triste conclusão: a corrupção existe porque existem vários grupos (que estão longe de estarem desprovidos de poder e influência) que beneficiam escandalosamente dela e porque mais uma vez o cidadão prefere comer e calar a ter que levantar a voz e reclamar (embora aqui a coisa seja mais complexa porque na mais bela tradição portuguesa as vozes dissidentes costumam ser abandonadas e isoladas até que conclua que todos os males do mundo são da sua responsabilidade – solidariedade no seu melhor). Mais um factor de desgaste da democracia e do parlamentarismo.

E foram as notícias

As novidades que os jornalistas nos trazem de vez em quando atingem um nível chocante. Quem haveria de dizer que ditadores, proto-ditadores, oligarcas corruptos, fanáticos e movimentos armados seriam contra a liberdade de expressão? Ainda estou a decidir se esta "descoberta" é um acto de uma classe inteira a olhar para o umbigo ou se realmente queriam chamar a atenção para algo que não se soubesse já.

Monday, May 01, 2006

Os fascistas espanhóis da guerra civil eram bons

Pelo menos é o que se subentende neste post. A visão unilateral é uma forma de cegueira.