Wednesday, April 26, 2006

A sociedade livre e o acto de questionar

Estive a ler o post do Pedro Silva no Armadilhaparaursosconformistas e voltei à meditação. O renascimento dos movimentos totalitários a que assistimos um pouco por toda a Europa não é um fenómeno novo, e só uns media muito muito insuficientementes permitiram que a situação passasse despercebida pelo comum dos mortais. Entenda-se que o informar o cidadão não equivale a filtrar relatórios secretos à imprensa com fins (políticos) pouco claros.

Como disse na caixa de comentários o que me parece urgente é a reflexão sobre a liberdade e o porquê da insistência neste modelo de sociedade. É preciso tornar claro que isto não é uma questão de tradição, não é uma questão de respeito pela autoridade, não está relacionado com qualquer lógica económica ou qualquer outro factor irrelevante. Isto é sobre nós enquanto seres livres! É isso que está em causa, a liberdade. O objectivo da República e da democracia é o permitir a organização da sociedade em pleno respeito pela nossa esfera pessoal.

É claro que passar esta mensagem é uma luta complicada e existem várias razões para que isso assim seja:

1) A tendência que a maioria tem em não questionar o mundo em que vive. Isso leva a uma aceitação passiva da realidade e claro que também cria uma vulnerabilidade já que quem não pensa não pode ter opiniões claras e justificadas. São alvos, praticamente, indefesos para os demagogos.

2) Mesmo os que percebem o porquê do sistema admitem que é um sistema complicado já que ao mesmo tempo que divide o poder para evitar o abuso também se torna dependente de inúmeros elementos que podem funcionar mal, sendo que a imagem que passa para o exterior será a de um sistema não eficiente ou mesmo inútil.

3) Qualquer iniciativa que vise melhorar o nível intelectual da nossa população esbarra sempre nos defensores hipócritas de dois campos: os pseudo neutros e os economistas políticos. Os primeiros dizem que tais medidas seriam equivalentes a falta de independência ideológica, mas no entanto o que realmente os assusta é que numa exposição racional os seus favoritos ficariam sempre a perder (neste grupo encontram-se monárquicos, teocratas, totalitários de outros sectores e oligarcas). Para os segundos tudo o que não tenha um reflexo económico é perfeitamente redundante, obviamente que a cultura e a os valores intelectuais não têm lugar nessa visão do mundo.

Pode parecer ridículo a alguns mas este problema pode ser visto até nas coisas mais mundanas da nossa vida. Ao fim de semana (como bem burguês que sou) gosto de ir tomar uma bica ao café depois de almoço e regra geral levo um livro para ler e um cadernito para anotar alguma coisa que ache pertinente. Ora quando olho para o lado no café vejo que mais ninguém está a ler, é que nem um bom romance. Não sei se alguma vez os portugueses tiveram o hábito de ser inquisitivos e valorizaram o conhecimento em si (em oposição a valorizar apenas as técnicas com uma ramificação económica óbvia) mas parece-me que essa característica tem que ser estimulada urgentemente se esperamos acabar com esta apatia.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

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Sunday, November 26, 2006 7:02:00 AM  
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