Friday, April 28, 2006

Como o Labour cometeu suicídio

Com escândalos sucessivos, muito mal geridos, e uma atitude que não percebe os novos tempos. Não é que seja grande fã dos trabalhistas (prefiro de longe os Liberais Democratas) mas isto significa que os conservadores, que já fizeram um “face lifting” para esconder o mofo das suas posições, começam a estar melhor colocados para assumir o poder.

Era simpático que os eleitores castigassem os dois maiores partidos votando Libdem na próximas eleições, é que ambos merecem apanhar nas orelhas. Os trabalhistas porque descambaram no plano da guerra e da honestidade interna (ainda me lembro de assistir a um debate com Blair a ser alvo de críticas violentíssimas, e acertadas, por parte de muitos jovens) e os conservadores por serem a mesma coisa de sempre mas com uma cara mais airosa, como se um look pudesse mudar o seu coração.

Opções religiosas

Uma das coisas que faço de vez em quando é dar uma volta pelos blogs religiosos que por aí andam para ver o que é dito e pensado por esse sector. Isto sendo Portugal é bastante claro que a maioria dos blogs desta categoria são católicos, o que retira bastante interesse à actividade - se estivesse interessado em ouvir repetições das opiniões do Vaticano ligava a tv em vez de usar a net.

Mas de qualquer forma, de tempos a tempos, lá vou eu ver o que se passa com as vozes religiosas nacional e desta vez encontrei algo que me fez lembrar várias razões pelas quais não tenho qualquer simpatia com o cristianismo. Bastou uma palavra: evangelização. Só a palavra em si mesma é um atestado de arrogância que só poderia vir de uma mentalidade dominadora. Não se fala em discussão entre crentes ou entre crentes e descrentes. Fala-se sim em conversão em massa.

Não é a cúmulo da arrogância supor que os outros não meditaram as suas posições religiosas e que devem ser alvos de tentativas de conversão? Não será o cúmulo do pretensiosismo falar em revelar verdades, livre arbítrio e todo o repertório missionário quando a prática desta religião inclui “ensinar” as verdades da fé a crianças (dificultando a livre escolha)? Obviamente que tudo isto passa completamente ao lado dos cristãos, pelo simples facto de que sofrem de um complexo de superioridade derivado de duas coisas: 1) a própria natureza do monoteísmo aponta para a visão única e superior do crente face aos outros (talvez seja isto que permite aos diferentes monoteísmos participar no diálogo religioso) e 2) um passado agressivo em que as culturas com crenças religiosas diferentes foram sucessivamente dominadas e destruídas, o que levou à expansão do seu modelo religioso.

Eu próprio sou um curioso das religiões, da sua história, dos seus ritos, das suas ideias e posso com toda a certeza dizer que as religiões do livro seriam as últimas que eu escolheria para mim mesmo.

Thursday, April 27, 2006

Fazer dos outros tontos

É precisamente isso que neste momento os deputados querem fazer de todos nós. No fim desta coisa ainda vão exigir que se lhes agradeça pessoalmente o facto de terem faltado um dia antes de começarem as férias de páscoa. A única coisa a concluir é que os actuais representantes políticos não têm o mais pequeno sinal de dignidade de estado, além de não saberem o que a palavra ética quer dizer.

Quem perde o respeito do seu povo perde a capacidade para liderar. É a diferença entre ser líder institucional (ou seja, cujo poder deriva de ocupar uma posição hierárquica) e ser um verdadeiro líder (porque consegue que outros o sigam). Infelizmente há algo que me diz que explicar os “finer points” da liderança aos actuais deputados é um desperdício de tempo.

A banca tradicional portuguesa

O menino do papá insulta o rato de sacristia (e vice versa).

As tontices de duas instituições (e dirigentes) ineficientes que não se souberam expandir e que correm agora o risco de serem compradas por um qualquer banco estrangeiro. O bom desta situação é que permitirá aos novos donos fazer uma profunda limpeza aos quadros e limpar os amigos, família e companheiros da obra. Pode ser que assim o mérito se torne mais importante, talvez até se crie uma nova tradição.

Wednesday, April 26, 2006

A sociedade livre e o acto de questionar

Estive a ler o post do Pedro Silva no Armadilhaparaursosconformistas e voltei à meditação. O renascimento dos movimentos totalitários a que assistimos um pouco por toda a Europa não é um fenómeno novo, e só uns media muito muito insuficientementes permitiram que a situação passasse despercebida pelo comum dos mortais. Entenda-se que o informar o cidadão não equivale a filtrar relatórios secretos à imprensa com fins (políticos) pouco claros.

Como disse na caixa de comentários o que me parece urgente é a reflexão sobre a liberdade e o porquê da insistência neste modelo de sociedade. É preciso tornar claro que isto não é uma questão de tradição, não é uma questão de respeito pela autoridade, não está relacionado com qualquer lógica económica ou qualquer outro factor irrelevante. Isto é sobre nós enquanto seres livres! É isso que está em causa, a liberdade. O objectivo da República e da democracia é o permitir a organização da sociedade em pleno respeito pela nossa esfera pessoal.

É claro que passar esta mensagem é uma luta complicada e existem várias razões para que isso assim seja:

1) A tendência que a maioria tem em não questionar o mundo em que vive. Isso leva a uma aceitação passiva da realidade e claro que também cria uma vulnerabilidade já que quem não pensa não pode ter opiniões claras e justificadas. São alvos, praticamente, indefesos para os demagogos.

2) Mesmo os que percebem o porquê do sistema admitem que é um sistema complicado já que ao mesmo tempo que divide o poder para evitar o abuso também se torna dependente de inúmeros elementos que podem funcionar mal, sendo que a imagem que passa para o exterior será a de um sistema não eficiente ou mesmo inútil.

3) Qualquer iniciativa que vise melhorar o nível intelectual da nossa população esbarra sempre nos defensores hipócritas de dois campos: os pseudo neutros e os economistas políticos. Os primeiros dizem que tais medidas seriam equivalentes a falta de independência ideológica, mas no entanto o que realmente os assusta é que numa exposição racional os seus favoritos ficariam sempre a perder (neste grupo encontram-se monárquicos, teocratas, totalitários de outros sectores e oligarcas). Para os segundos tudo o que não tenha um reflexo económico é perfeitamente redundante, obviamente que a cultura e a os valores intelectuais não têm lugar nessa visão do mundo.

Pode parecer ridículo a alguns mas este problema pode ser visto até nas coisas mais mundanas da nossa vida. Ao fim de semana (como bem burguês que sou) gosto de ir tomar uma bica ao café depois de almoço e regra geral levo um livro para ler e um cadernito para anotar alguma coisa que ache pertinente. Ora quando olho para o lado no café vejo que mais ninguém está a ler, é que nem um bom romance. Não sei se alguma vez os portugueses tiveram o hábito de ser inquisitivos e valorizaram o conhecimento em si (em oposição a valorizar apenas as técnicas com uma ramificação económica óbvia) mas parece-me que essa característica tem que ser estimulada urgentemente se esperamos acabar com esta apatia.

Tuesday, April 25, 2006

Rotativismo e escolhas

«A História do regime da Constituição de 1976 é um rotativismo monótono, pouco eficiente face aos desafios e desígnios nacionais que se nos apresentaram e se nos apresentam».

Foram estas as sábias palavras de Alberto João Jardim. O nosso democrata das ilhas deu-se repentinamente conta que o PS e o PSD retalharam o poder e os tachos e que nenhum deles faz nada de realmente radical (não é apenas para não abanar o barco... é também reflexo da sua própria mediocridade). O único ponto que não menciona (não se percebe bem porquê...) é que não o fazem apenas por inépcia ou falta de personalidade mas também por corrupção.

Nunca pensei que isto viesse um dia a acontecer mas concordo com este demagogo. O rotativismo é realmente uma doença que gera podridão política, que mais tarde ou mais cedo tem que ser saneada. Quanto mais tarde se acudir ao problema mais drásticas terão que ser as medidas e mais violenta será a reacção.

O que acho muito divertido é ser o semi-ditador da Madeira a vir dar esta lição (dá um novo sentido à palavra ironia), um homem que subiu dentro do PSD, que deve o seu lugar ao partido, que transformou a região a que preside num feudo pessoal, onde até o vilipendiado rotativismo seria uma lufada de ar fresco à habitual podridão do sistema político e burocrático das ilhas.

Um bom passo para recuperar a esperança, de que Jardim tanto fala, seria acabar com o seu próprio reinado nas ilhas e mudar o partido que controla o aparelho. Depois disso já se poderia começar a pensar no resto do país e nos vícios de um sistema bipartidário.