Tuesday, March 28, 2006

A horrível conspiração (desmascarada!!!)

Foi desmontada mais uma poderosa cabala anti-liberal. Sem a valorosa intervenção de agentes especiais como o João Miranda o poderoso lobi marciano-esquerdista-maçónico (e ecologista!!!!) tomava conta disto tudo.

Ainda bem que depositando a nossa confiança nos ultra liberais ficamos todos em boas mãos...

Com este cenário estou a ver que os ecologistas vão ter que pedir ajuda a este senhor.

Eleições na Palestina e responsabilidade moral

Desde que o Hamas ganhou as eleições na Palestina que não se sabe bem o que fazer com as negociações. Por um lado não se quer estagnar o processo mas por outro não se pode negociar com um governo que não abdica da acção violenta e terrorista.

A situação é ainda mas complicada porque a o governo e organizações palestinas estão completamente dependentes de fundos estrangeiros para poder funcionar, e os EUA e a UE estão de acordo que não se pode financiar o governo liderado pelo Hamas até ficar provado que este renuncia à violência.

Este apelo é em vão pelas razões já mencionadas, mas vai ter um efeito perverso para a Europa e os EUA: vai servir de justificação e combustível a mais fanatismo. É fácil imaginar os extremistas a fazerem discursos do género: Estão a ver, toda a gente nos abandonou, só o Hamas é que está aqui, somos a única solução.

Para evitar este tipo de situação é preciso gerir as coisas com mais prudência, a responsabilidade por qualquer situação prejudicial que resulte destas eleições tem que poder ser posta aos pés do Hamas, caso contrário aos olhos do mundo os fanáticos passam por moderados e heróis contra um ostracismo que parece injusto.

Monday, March 27, 2006

O valor das alianças

A confirmação do óbvio: os americanos teriam invadido o Iraque independentemente do que saísse das Nações Unidas.

Ou seja, a aliança ocidental (que os republicanos andam a cantar aos quatro ventos, agora que estão até ao pescoço em...) só serve quando é conveniente, ou seja, quando se prova que o colosso não tem força ou credibilidade suficiente para resolver as situações que a sua arrogância e falta de visão causaram.

O pensamento político desta administração quanto à Europa foi expresso pelo secretário de defesa Rumsfeld há bem pouco tempo, os americanos não têm qualquer uso para a “velha Europa”, a Europa orgulhosa e independente, e por isso preferem uma tal “nova Europa” (obediente, dependente e fragmentada) que mais não é que o conjunto de nações que não percebeu que os seus interesses e prioridades estão em Bruxelas e não em Washington.

Sunday, March 26, 2006

A proclamação


Sinto-me particularmente trágico, por isso escolhi esta imagem para o Domingo,a proclamação do Império alemão em Versailles (1871) - uma humilhação que os franceses jamais esqueceriam. Este evento foi a causa de mais de 7 décadas de instabilidade continental e mundial, foi o principio do fim do domínio Europeu a nível mundial. Novos Impérios se seguiriam, com outros símbolos e ideologias.

O ressentimento alemão pela sua exclusão a nível colonial, a arrogância britânica em desligar-se da política continental, a decadência dos Impérios do sul da Europa (Portugal e Espanha) ao ponto de serem excluídos como factor relevante, e a inevitável desintegração do poder dos Habsburgos foram todos factores que promoveram os conflitos.

O lado positivo de tudo isto (sim porque também existe) foi o fim do colonialismo, o fim das monarquias com poder político e o nascimento de uma vontade de União continental – a União Europeia é a encarnação desse sonho. As coisas resolveram-se de forma estranha ao longo deste tempo, duvido que Bismark, Moltke ou Guilherme I tivessem este cenário em mente :)

Saturday, March 25, 2006

Posts interessantes noutras paragens

Todos estes posts são interessantes não só pela percepção que demonstram mas também porque as realidades que retratam são bastante preocupantes. Recomendo-os a todos.

Menos uma barreira

Os homossexuais masculinos já podem doar sangue. Ao fim de uma década de discriminação finalmente mudaram as regras (quase que se vê os cordelinhos de Bruxelas nisto tudo, já que a tolerância nunca foi o ponto forte dos responsáveis nacionais...).

Portugal é um pais tão tolerante, tão tolerante que até quem quer ser altruísta e doar sangue era impedido devido à sua orientação sexual. A única coisa que isto revela é muito preconceito e o seguimento acéfalo de opiniões não técnicas.

Mas nem tudo é positivo, lembrando as palavras de Paulo Côrte-Real: "Agora é preciso garantir a aplicação efectiva do novo critério, certificar que não muda no papel e não fica na mesma na prática."

Estas questões têm tendência a ficar mal resolvidas, é como o caso do racismo que é penalizado mas que é prática corrente em instituições e empresas.

Thursday, March 23, 2006

Don´t rock the boat

Nenhum dos temas fracturantes parece estar na agenda do PS. Acho que uma frase que resume bem toda a atitude do partido foi dita por Vitalino Canas:

“esse não é um tema que o PS tenha neste momento na agenda”

O problema é que o PS não parece querer abordar nada, aliás o lema parece ser: o melhor é ficar muito quietos para ver se não chateamos muitas pessoas e assim conseguir o segundo mandato. Sinceramente parece-me uma atitude cobarde.

Mas a parte mais “engraçada” é que a regionalização continua na ordem do dia para o partido socialista. Para servir as clientelas do partido arranja-se sempre coragem política para alterar as coisas, para o bem do cidadão comum é que parece ser mais complicado.

Wednesday, March 22, 2006

Os que são esquecidos

Quando um cidadão é preso ele não deixa de ser cidadão e mais importante não deixa de ser humano. O seu “castigo” é ver a sua liberdade pessoal limitada e não ver a sua dignidade humana destruída mas infelizmente é isso mesmo que acontece.

É inadmissível num estado civilizado que um preso viva em condições degradantes e não higiénicas, é inaceitável que tenha que estar sujeito à violência (física, psicológica, sexual...) de outros presos e até dos guardas, é intolerável que os técnicos do social (psicólogos, sociólogos e assistentes sociais) neste momento nem trabalhem nas prisões mas sim em escritórios bem longe limitando-se a preencher formulários e a fazer entrevistas periódicas e inúteis.

É estúpido e perigoso que não haja prisões especificas para os crimes violentos e só uma sociedade que se recusa a olhar para o seu lado negro pode aceitar que pessoas condenada por crimes tão diferentes como roubo, agressão, crime de colarinho branco, violador ou assassino estejam no mesmo local físico.

E quanto à epidemia da droga nas prisões não é preciso ir muito longe para encontrar a causa: o acesso às prisões é limitado pelos guardas, ou seja, tudo o que entra lá dentro entra com o seu conhecimento. Façam as contas: o que é mais provável, a corrupção policial ou o teletransporte de quantidades impressionantes de narcóticos de forma regular?

Se o sistema judicial não é perfeito tendo imensas falhas a sua continuação, o sistema prisional é obsceno.

Same old song

Continuando na mesma onda de ontem temos esta pérola. Estes esquecimentos são do caraças... nunca conheci nenhum contribuinte de classe média que conseguisse não escapar-se com 740 euros ao fisco quanto mais 740 mil...

Tuesday, March 21, 2006

Os podres da nação

Os reizinhos cá da terra (como dizem ser este caso) são uma espécie à parte. São os atletas do desporto nacional português: o nepotismo. Se há causa mais óbvia da nossa desgraça como país esse algo é a recusa em recompensar a competência e capacidade em detrimento do amigo, da mulher, do filho, da amante, do sobrinho, do primo, do afilhado, do tipo com o penacho entre outros.

Sem conquistar esta falha abismal não há hipótese de fazer mais nada, quando os meninos e meninas têm as costas quentes e fazem o que querem e lhes apetece e no fim (presumivelmente pela atitude de profissionalismo...) ainda recebem promoções, bónus e sei lá mais o quê como é que um profissional sério que subiu a pulso pode ter vontade de fazer seja o que for? Não há motivação que resista a este sistema da “cretinocracia”.

Monday, March 20, 2006

O tirano da Bielorússia

Alexandre Lukachenko foi reeleito como presidente com uns fantásticos 82%, obtidos de forma desonesta (segundo a OSCE) já que não existiu o mínimo de liberdade - o resultado já era esperado, já que, normalmente, prisões de opositores, proibições de manifestações ou a sua repressão e a desaparição de democratas no meio da noite para nunca mais serem vistos costuma ser mau sinal...

O tirano de leste acabou de garantir mais uns anitos no poder, enquanto isso o seu país continua afundado na mais profunda miséria, corrupção e com um estado policial. Para encontrar soluções para o "último ditador europeu" temos que procurar repostas não na Bielorússia mas sim em quem mantém o sistema (um estado totalitário tão perto da Europa Ocidental não continua de pé há mais de 15 anos por acaso), já que Lukachenko é um testa de ferro.

Sunday, March 19, 2006

À espera de Baco


Tiziano - O Bacanal

Saturday, March 18, 2006

Desmontando a trindade

O famoso monstro de três cabeças do conservadorismo: família, religião e tradição.

Família - todos temos família e não precisamos de meia dúzia de presunçosos com uma atitude "holier-than-thou" para explicar o que são afectos ou laços emocionais. Regra geral é apenas uma desculpa para defender uma exclusividade de um determinado modelo. No caso dos nacionalistas é apenas uma forma de sacar votos através dos medos e ódios mais mesquinhos dentro de cada pessoa – são os mesmos que defendiam que o divórcio ia acabar com a civilização e o aborto e a não discriminação racial e manter uma atitude não machista e... apesar de tudo parece que o mundo ainda gira à volta do sol.

Religião - Não falamos aqui da pertença a uma comunidade religiosa, falamos quase sempre da defesa da imposição das regras (privadas) dessa instituição a todos. É o caso dos que dizem que o modelo judaico-cristão é, ou deve ser, universal. Mais uma vez o medo é o facto decisivo para vender esta ideia (já que o tempo desacreditou a religião na sua forma monolítica).

Tradição - A mais esfarrapada delas todas. O facto de algo ser feito durante muito tempo significa que tem valor? Desde quando? Os mais insidiosos defensores da tradição tentam confundir a tradição com empirismo, afirmando que se algo se faz de determinada forma então é porque o tempo provou que essa era a melhor forma. Obviamente que isto é uma ideia falsa, as práticas impõem-se devido a muitos factores: concordância cultural, coerção, marketing e algumas vezes porque funcionam (num determinado contexto temporal e não num universal).
Estas são as três armas principais de quem quer assustar os outros ao ponto de se submeterem a um dado modelo. Essencialmente o objectivo do conservadorismo é a uniformidade asfixiante e o conformismo.

Excelência cultural ou o mercado anarca*

Peter Gabriel
The Lyrics to: “The Barry Williams Show

let's go

one man at the window
one girl at the bar
saw that look of recognition
when they know just who you are
i seen you on the tv
i seen you on that show
you make the people crazy
and then you let them go

before the show we calm them
we sympathise, we care
and the hostile folk we keep apart
'til the red light says 'on air'
did you see our leather lovers
all tied up to the chair
did you catch those child molesters
no one else goes there

what a show, the barry williams show
what a show,
dysfunctional excess
is all it took for my success
the greater pain that they endure
the more you know the show will scored
it's showtime

got the reputation of a surgeon
'cos they cannot feel the cut
it looks so very simple
but it really is an art
they call our studio 'the hospital'
making money from the sick
we let people be themselves
there is no other trick

'my lover stole my girlfriend'
'i keep beating up my ex'
'i want to kill my neighbour'
'my daughter's selling sex'
'my s/m lover hurt me'
'my girl became a man'
'i love my daughter's rapist
'my life's gone down the pan'

what a show, the barry williams show
the barry williams show
dysfunctional excess
is all it took for my success
and when the punches start to fly
the ratings always read so high
it's showtime

'that girl has got no scruples'
not a wrinkle on her face
you would not believe the plot she conceived
so they'd let her take my place
well, no man is an island
no man is a sea
but this display of emotion
is all but drowning me

what a show, oh what a show
on my show, the barry williams show
it's my show
what a show
dysfunctional excess
is all it took for my success

the best tv you've ever seen
where people say the things that they really mean
i hear my name, i hear them roar
for the one more time i take the floor
just one more barry williams show
we're gonna take you where you want to go
it's showtime

come on down
come on down


Pontos a lembrar:

O catecismo do mercado

1) O mercado é racional
2) As pessoas irão sempre fazer a melhor escolha
3) O mercado não precisa nunca (jamais em tempo algum, nem que o mundo colapse) de intervenção ou regulamentação
4) A cultura** que resulta deste modelo é, naturalmente, o pináculo da civilização livre
Nota: O artigo não é um ataque à liberdade pessoal (nem tal me passaria pela cabeça) é uma chamada de atenção para a cultura cretinizada (não as situações em si mas a exploração do espectáculo e a sua primazia social) que toda esta ideologia trás ao de cima. Estou cansado que me digam que liberdade é consumir e que qualidade é quantidade.

* O post contém uma certa malícia intencional...
** Visto que o conceito não depende necessariamente de algo comercialmente viável será que ainda poderá ser usado? I Wonder...

Friday, March 17, 2006

Discriminações

Este post do Aspirina B está bem lembrado. É que só quem vive no reino da fantasia (que, acrescente-se, não é mau sitio para se viver para quem se pode permitir o alheamento da realidade) é que não conhece casos de promoções ou oportunidades serem passadas como rebuçados a amigos, amantes e afins. E quem é que nunca viu o tal senhor muito trabalhador que é funcionário há 10 anos mas que sucessivamente vê passarem-lhe à frente pessoas acabadas de chegar à secção apenas por questões raciais, sociais ou mesmo sexuais?

E não se pense que isto é apenas mais um dos vícios do funcionalismo público, longe disso. Isto é perfeitamente transversal à sociedade (portuguesa),tão válido para o sector público como para o privado

Aliás ainda me lembro de conhecer um director de um departamento de uma grande empresa de turismo cujo trabalho consistia em chegar às 11 da manhã, estar bêbado depois de almoço e dormir umas valentes sestas o resto da tarde – tinha uma grande virtude que o redimia: era de boas famílias, amigo íntimo de alguém lá “em cima”. Ou ainda da história da senhora do armazém de uma grande superfície que os colegas consideravam muito masculina (leia-se: no seu entender era claramente lésbica) e que durante quase duas décadas tinha permanecido no mesmo lugar porque a os superiores acharam que ser heterossexual era um pré-requisito de qualquer lugar superior.

Não há nada mais opressivo e doentio num ambiente de trabalho do que os segredos que todos conhecem mas nunca mencionam.

Thursday, March 16, 2006

As guerras culturais podem ter chegado a Portugal

Como é dito aqui com todas as letras os conservadores dominam Belém. Cavaco fez um transplante de conservadores (de todas as estirpes) para a sua “administração”. Sinceramente acho que é péssimo sinal, dado o que este senhores andam a defender há anos. Se Cavaco tiver algum peso real no seu mandato (e não for o corta fitas que o presidente normalmente é) as liberdades civis vão no mínimo estancar se não mesmo regredir.

O que não é aceitável é que alguns venham agora dizer que estão surpreendidos com estas nomeações, isto era previsível, sempre foram estas as pessoas que rodearam Cavaco e era previsível que a camarilha da Universidade Católica colonizasse Belém.
Por alguma razão não votei nestas eleições...

Finalmente

"ONU aprova criação de novo Conselho dos Direitos Humanos"

A ONU resolveu finalmente mudar de sistema. Os abusadores sistemáticos dos direitos humanos podem desta forma ser excluídas do novo conselho em vez de ser como até agora em que a comissão mantinha entre os seus membros países que cometiam as mais atrozes violações dos direitos humanos.

Ao contrário dos conservadores que consideram os direitos humanos como uma ficção iluminista (preferindo muitas vezes substitui-los por algum vago conceito religioso pré-séc. XVIII) eu vejo-os como algo de valor prático inestimável, são a única forma realista de trazer um mínimo de liberdade a todos os cantos do mundo. Quando esses mesmos direitos são subordinados a interesses económicos ou políticos não posso deixar de sentir asco (China, Índia, Indonésia, EUA, Bielorússia, Rússia, Zimbabwe...). Gostava de pensar que os nossos representantes não são capazes de descer tanto mas sistematicamente tenho estado errado.

Espero que pelo menos este passo permita um controlo mais apertado dos estados e grupos violadores. Um passo importante no projecto de estabilidade e prosperidade global.

Tuesday, March 14, 2006

A liberdade e o anarco-capitalismo

A liberdade no seu sentido mais verdadeiro, isto é, aquela que permite ao indivíduo fazer as suas escolhas num ambiente moderadamente neutro não se coaduna muito bem com os modelos de anarco-capitalismo que por vezes se defendem aqui, aqui, e aqui.

Esquecem-se estes senhores e senhoras que a empresa é uma entidade que tem poder, poder esse que tal como o político tem que ser limitado, o facto de se destruir todos os mecanismos de controle (estatais) apenas significa que passa a existir uma potência de facto que não tem qualquer regulamentação (e ninguém me venha com tretas dizer que os interesses de um grande corporação são os mesmos do consumidor porque não são! Só quem não percebe nada de nada de lógica comercial poderia afirmar tal coisa).

Esta visão leva apenas a um cidadão indefeso perante forças coercivas não estatais e isso não é ser livre - ou melhor passamos a ter uma nova definição de liberdade, a liberdade de consumo, só e apenas e com o número crescente de oligopólios se calhar nem isso. O modelo do capitalismo radical caí em vícios que as afirmações de fé no mercado não são o suficiente para os resolver.

Para dar um exemplo, podemos ver que apesar de as corporações terem um papel fundamental na política nacional e internacional não respondem perante ninguém excepto os accionistas (ou seja o exercício de actividade cívica passa a estar dependente da propriedade), enquanto que o estado pelo menos têm a decência de teoricamente nos representar a todos.

Obviamente que isto não é um apoio a todos os monopólios indevidos do estados em áreas industriais, ou à golden share, ou à manutenção de empresas publicas que só servem para colocar boys do partido, é apenas um lembrete: não há soluções fáceis!

Em resumo, o capitalismo deve ser encarado como uma (de várias) ferramentas para atingir um estado de maior liberdade e não como um fim em si mesmo. Enquanto isso acontecer então serve a sua função mas no dia que isso deixar de ser verdade é o dia que o sistema económico precisa de ser reformado ou substituído.

Mais Bruegel


Mad Meg -Pieter Bruegel

de volta

Peço desculpa aos leitores pelo mês de ausência mas infelizmente tive problemas familiares que me obrigaram a dedicar a minha atenção a outras coisas.