Tuesday, January 31, 2006

Opostos e meias verdades

Uma ideia muito estranha que parece andar pelos círculos ultra-ultra-liberais portugueses é a seguinte: o socialismo deu provas históricas de ser um sistema perverso e como tal o seu oposto, a dissolução do estado (ou quase), é necessariamente positivo. Uma asneira de todo o tamanho a meu ver, o facto de algo estar errado não implica que o certo seja o seu simétrico. No caso dos que são capitalistas conservadores a questão é outra, já que existe uma agenda que é servida magistralmente por tais ideias e medidas.

Sunday, January 29, 2006

claro que não é desta

"Sem esconder a surpresa, todo o espectro político italiano, incluindo o centro-esquerda, aplaudiu sobretudo a segunda parte da encíclica, que indica, como diferença fundamental do cristianismo, a distinção "entre o que é de César e o que é de Deus", explicitamente assumida pelo Papa Ratzinger."

Porque que é que estas noticias nunca me convencem?

Se a césar a o que é de césar então assumo que o "estado" do Vaticano vai ser dissolvido e integrado no estado Italiano?

Assumo também que a Igreja vai deixar de exercer pressões, mais ou menos óbvias, para consagrar os princípios do catolicismo enquanto lei?

Só por curiosidade... porque que é que se esperam que surjam modelos de sexualidade positivos de uma religião que tem um deus assexuado?

Os ideais dizem tudo...

Continuando a mesma linha de pensamento...

Devo dizer que até gosto da ideia de Alegre de criar movimentos extra-partidários para a discussão dos temas que interessam e que toda a sua atitude anti-aparelho é muito saudável e só peca num aspecto: vem demasiado tarde.

Ao fim de 30 anos (!!!) de pertencer a esse mesmo aparelho partidário é que Alegre se lembra de dizer que as coisas estão mal?? Uma actuação que não convence.

Além disto tudo convém referir que a grande batalha é interessar as novas gerações que estão, esmagadoramente, apáticas face a todo e qualquer tema político.

Descobriu-se a pólvora

Os partidos deixaram de funcionar. É pelo menos este o resumo deste “explosivo” achado jornalístico, que afirma que actualmente os partidos são (e passo a citar): máquinas de influência e de colocação de empregos.

E para os que não têm andado a dormir nos últimos anos a grande pergunta é: e novidades?

É um facto há já muito tempo que a maioria dos aparelhos partidários só têm como objectivo representar-se a si próprios e que o nepotismo é prática comum. O que eu discordo é da percepção comum que isto é da exclusiva responsabilidade dos sucessivos governos. Isto é acima de tudo um sinal da mediocridade do eleitor médio.

O português por regra não é exigente com os seus representantes políticos, talvez por falta de tradição democrática talvez porque muitos até se revêm em muitos aspectos nesses mesmos líderes.

Como dizia Pacheco Pereira aqui há uns tempos no seu programa televisivo, um reformador em Portugal jamais seria eleito porque não existe nenhuma exigência popular nesse sentido.

Friday, January 27, 2006

Mudanças que demoram

Hoje recorda-se o Holocausto, esse horror de suástica que é uma mancha no passado Europeu (juntamente com o colonialismo). Fala-se em luta contra os que negam esta obscena realidade mas há aspectos que são curiosamente esquecidos.. como por exemplo:

1- As atitudes tomadas pelo regime nazi não surgiram do nada. Baseiam-se num amplo contexto cultural e social no qual até hoje todos se negam a apontar dedos.

2- Se é verdade que os aliados libertaram os judeus encarcerados no inferno também é verdade que voltaram a prender outros presos (como os homossexuais na Alemanha) sob a acusação de ainda não terem cumprido toda a sua pena pelo seu "crime".

3- Nos EUA, os defensores da liberdade, seguiram-se décadas de caça às bruxas onde a repressão política, racial, social, de género e sexual foi mantida em nome dos bons costumes - até hoje espera-se que os conservadores americanos (e alguns espécimes europeus) percebam que um regime repressivo é um regime repressivo independente dos “valores” que invoca para se justificar.

Enfim.. há coisas que felizmente mudaram desde essa data mas demorou demasiado e ainda hoje se continuam a bater em alguns dos mesmos pontos... parece que não aprendemos a ignorar completamente as vozes que nos querem levar aos velhos terrores.

Lições de ética dadas por moralistas

Ligações perigosas no Supremo Tribunal americano.

As guerras culturais são, por vezes, fogo de vista que tapam outros interesses.

Tuesday, January 24, 2006

Pós-eleições

Cavaco ganhou as eleições e agora vem a fase da desilusão. Quem se veste com trajes de messias estimula a imaginação popular a um nível tal que só vai aumentar o desfasamento entre realidade e as ambições.