Wednesday, November 30, 2005

Voltas e voltas

Porquê dar tantas voltas para dizer que querem escolas religiosas pagas pelo estado? Ou por outras palavras, financiar o sistema de ensino religioso privado já existente.

Então agora já se pode intervir no mercado? É a la carte?

Era preciso falar em liberdade religiosa que nunca esteve em causa (quanto mais ser crucificada)?

Era preciso atacar as pessoas em vez do argumento (numa tentativa de politizar o assunto)?
Era preciso misturar alhos com bugalhos apenas para descredibilizar o outro lado?

Lógica da batata

Que muitas cabeças, como por várias vezes tive a infeliz oportunidade de confirmar, parecem aceitar como válida quando se fala de sexualidade e educação sexual:

- Confundir mensagens sexualizadas da mainstream media como educação ou sequer informação sexual relevante para os jovens.

- Confundir programas de biologia em que o assunto da reprodução é (se for) abordado de forma tímida e envergonhada (nem falo da sexualidade, essa enfim...).

- Pensar que uma boa solução para a subida das taxas de infecção de sida (e outras DSTs) é abolir as campanhas de educação e de promoção do uso do preservativo (porque obviamente não estariam a funcionar).

- Fazer birras e descambar para a estupidez agressiva cada vez que a homossexualidade é mencionada sem ser num contexto depreciativo (esta atitude destrutiva resolve-se com ajuda profissional...).

Tuesday, November 29, 2005

Perder tempo

Foi o que Portugal andou a fazer durante as décadas em que se andou a dar subsídios comunitários como se fossem caramelos. Eram filhos, afilhados, amigos e conhecidos a estender a mão, tudo com projectos brilhantes que estranhamente morreram quando o grosso do subsídio estava recebido (melhor que isso só os programas de financiamento a empresários inovadores que já estavam decididos antes de o concurso ser lançado). À falta de um legado de tecido produtivo saudável sobra apenas a irritação de uma Europa que está farta de subsidiar um país que não parece sentir a necessidade de crescer depressa e a necessidade de financiar os novos membros - alguns dos quais mostram ser consideravelmente mais sábios na distribuição de subsídios mais parcos.

O país é hoje uma verdadeira montra de nepotismo e frustração.

O inevitável chegou finalmente, a fonte secou.

Poder local

Mania de confundir descentralização com eficiência e liberdade. Com as características do nosso país a dita descentralização quer quase sempre dizer cacique e prestação de favores a grupos de interesse com menos reponsabilidades e transparência do que o nível central.

O que é local não é menos impositivo do que o governamental, é apenas uma questão de crescente opacidade no processo de toma de decisões e execução (e quem já viveu ou vive em pequenos meios bem sabe do que estou a falar...).

Saturday, November 26, 2005

O modelo

O exemplo a seguir para os corajosos “reformadores” católicos que acham que têm o direito natural de estar no sistema de ensino e que se sentem selvaticamente perseguidos pelo politicamente correcto [lol], só pode ser um:

Joseph Maistre – por um regresso a melhores tempos

A lei, a “ordem natural” e a ilusão

Finalmente se começam a tomar passos para finalizar a separação total entre estado e religião, desta vez foi a remoção dos crucifixos que ainda se encontravam colocados em escolas e possivelmente, num futuro próximo presume-se, a cessação da realização de actividades católicas em algumas escolas.

Claro que a aplicação da lei é vista com maus olhos por alguns sectores e fala-se mesmo de ataques á Igreja. Se a Igreja católica vê como missão ter parte na formação dada pelo estado então realmente é um ataque. Um ataque destinado a impedir proselitismo barato num local que tem uma função diferente. Fala-se também de laicismo radical, mas fico na dúvida do que isso seja. É defender a efectiva separação da Igreja do Estado? Em vez de ter uma pseudo lei que é “letra morta” para benefício de uma religião.

Faz-se o apelo ao que considero ser o pior aspecto possível da descentralização. Em que esta não passa de uma figura de retórica que tem um objectivo bem diferente: permitir a certos grupos de influência ter mão livre para fazerem o que quiserem sem terem de prestar contas a uma autoridade central (como também é o caso do ensino da ciência em certos estados americanos). Não é uma luta contra a “opressão” que se fala mas sim contra uma dada direcção, que seria substituída pela influência de outras directivas que estariam perfeitamente fora da esfera da democracia, opinião pública ou individual. Quando se quebra o domínio de alguém sobre uma dada instituição há duas soluções para a parte "prejudicada": ou se tenta voltar a entrar pela porta do cavalo ou tem que se destruir essa dita instituição e assim já haverá terreno livre para avançar.

À parte de todas estas questões, e “parlour games”, é óbvio que existem muitos outros problemas com o ensino (e que para muitos a questão da separação religiosa chega a parecer algo trivial) mas isso não impede que este seja um passo necessário, essencial, para assegurar que qualquer projecto futuro se centre no sucesso do aluno, nos seus objectivos e não de nos de uma qualquer instituição que nada garante e que não responde perante ninguém.

Agora que já falei podem chamar-me jacobino anti-católico.

Friday, November 25, 2005

Vale a pena ver

Este post do João Galamba que está bem pensado e toca no que realmente está em jogo.

O Afixe pela diversidade das opiniões dos autores sobre o tema igreja / sexualidade / modernidade (pessoalmente vejo a defesa do dogma como absurda mas...).

Este post do João Miranda, que a ser levado a sério e consequentemente nos leva a sítios que definitivamente não queremos visitar... (calculo que derive do mais antigo erro da economia: o consumidor é racional)

Wednesday, November 23, 2005

Máscaras



La Maja desnuda y la maja vestida - Francisco Goya

Tuesday, November 22, 2005

O argumento anti-liberal final

"O único factor material indispensável para a geração do poder é a convivência entre os homens. Estes só retêm poder quando vivem tão próximos uns dos outros que as potencialidades da acção estão sempre presentes; e, portanto, a fundação de cidades que, como as cidades-estado, se converteram em paradigmas para toda a organização política ocidental, foi na verdade a condição prévia material mais importante do poder." (1)

Na nossa raiz está o poder e sua dissolução entre os indivíduos é algo improvável. E a estabilidade de qualquer (sistema?) político que se baseie nisso é temporária, pois não existe sistema ou sociedade que possa combater aquilo que os seres humanos são, aquilo que ela própria é.

Nem a democracia liberal nem as várias "liberdades" (para todos os gostos e orientações políticas) podem camuflar a diferença abismal entre o jogar com a opinião pública (caindo por vezes como uma vítima dela – fazendo tudo parte de uma espécie de intrincada dança macabra em que os dois lados mais ou menos sabem o que esperar, mas desejam que seja o outro a pagar o preço) e o valorizar genuinamente ou dar poder a essa mesma opinião pública.

Os que lhe atendem os desejos e caprichos são eventualmente devorados por ela... a não ser os que possuem o talento para a encantar ou os que são implacáveis o suficiente para a pôr a ferros.

De qualquer forma é um jogo. E num jogo há sempre alguém que perde.

(1)- Hannah Arendt, A Condição Humana

Monday, November 21, 2005

Lições sobre o poder II

Continuando a análise do poder vamos continuar fieis a Russell e ao caso particular da Igreja Católica:

"Another great strength of the papacy was its impersonal continuity. In the contest with Frederick II, it is astonishing how little difference is made by the death of a pope. There was a body of doctrine, and a tradition of statecraft, to which kings could oppose nothing equally solid. It was only with the rise of nationalism that secular governments gained any comparable continuity or tenacity of purpose. " (1)

Podemos por aqui ver que a estabilidade da organização é essencial à persecução de qualquer objectivo a longo prazo. E que além disso essa estabilidade não pode ser deixada nas mãos do acaso. A probabilidade que uma instituição não preparada produza uma linha de líderes capazes é ínfima; é por isso necessário que a instituição assegure que existe uma estrutura (não apenas organizacional mas mesmo de processos) que facilite qualquer transição e que consiga mesmo sobreviver a vários períodos de má liderança.

Existe também outra razão para a desvantagem secular face à organização clerical desde a queda do Império (seria mais correcto falar de transição, em vez de queda, para um tipo de civilização diferente, a medieval?): o facto da educação e regra geral o conhecimento estar inteiramente nas mãos do clero. A organização rival (o estado) vê-se desta forma privado de um elemento essencial para se poder organizar e ganhar substância, o conhecimento (quem disse que a economia do conhecimento é algo único da nossa era?). Sem isto, vê-se forçado a deixar tudo nas mãos de uma nobreza que além de ser incompetente em assuntos de administração e organização está mais interessada em manter os seus privilégios ancestrais face ao crescente poder real - sendo que colaboraram vária vezes com a Igreja para sabotar os seus soberanos. Trata-se da eterna luta da oligarquia face ao absolutismo, que tem a sua expressão mais dramática séculos depois na revolução francesa, onde os acontecimentos fugiram ao controlo das duas classes, tomando proporções que nunca foram desejadas por nenhuma delas.

Todos estes aspectos relativos aos problemas feudais e ao conhecimento são ainda mais frisados neste trecho:

"In the eleventh, twelfth and thirteenth centuries, Kings, as a rule, were ignorant, while most popes were both learned and well informed. Moreover kings were bound up with the feudal system, which was cumbrous, and in constant danger of anarchy, and hostile to the newer economic forces. On the whole, during those centuries, the Church represented a higher civilization than that represented by the state." (1)

Além de todos estes aspectos existe ainda um aspecto de relações públicas. O poder de atracção psicológica possuído por qualquer tipo de organização que é entendida por outros como superior. Cria-se uma aura de credibilidade que se mantida ao longo de largos períodos de tempo pode tornar-se algo tão intrínseco aos hábitos e à tradição que serão precisos abusos colossais para a destruir - foi o caso da cultura romana aquando das grandes invasões bárbaras. Apesar dos bárbaros serem completamente incapazes de manter o sistema legal, técnico e social do Império, e de terem acabado por destruí-lo, as suas intenções eram de integração e romanização. Muitos séculos depois do Império do Ocidente estar morto e enterrado os senhores da guerra do ocidente ainda aspiravam à coroa imperial como símbolo de prestígio.
(1) - Bertrand Russell, Power, cap. 4 - priestly power

Sunday, November 20, 2005

A técnica e a realidade

Todos nos guiamos por um conjunto de ideias base que supostamente, se somos racionais, foram pensadas e aceites por algumas razões que nos pareceram mais ou menos válidas. Até aqui nada de extraordinário nem de anormal (ainda estou para conhecer a pessoa com “dois dedos de testa” que não tenha o seu conjunto de princípios chave). O problema ocorre quando pensamos que chegámos à verdade absoluta, ao principio a partir do qual tudo se pode deduzir e do que tudo inevitavelmente deriva. É esse o caso dos religiosos que fecharam a sua fé num casulo de irracionalidade que ninguém pode assaltar, é de muitos filósofos que pensaram ter chegado à verdadeira pedra filosofal (é o caso de Helvétius com os seus princípios gémeos do prazer e da dor ou Hegel com a “descoberta” da dialéctica) e por fim é também o caso de certos grupos que defendem um conjunto de preceitos económicos ou sociais que supostamente subordinam tudo o resto.

Ora como diz muito bem o João, do metablog (que tomei a liberdade de juntar à minha lista de blogs), é o que se passou no caso destes senhores. A partir da economia como ciência social imperfeita, deduzem o resto do mundo, ou para ser mais exacto, interpretam-no segundo essa “luz”. Longe de mim negar a utilidade ou validade pragmática da economia (tão próxima da minha própria área) mas não tenho dúvidas em negar esse pressuposto (marxista? Se a ironia matasse...) de uma sociedade dominada exclusivamente e para todo o sempre pelos conceitos de lucro, margens, logística, etc.

Deste estado de coisas inevitavelmente segue-se a seguinte situação: o técnico (no verdadeiro sentido pejorativo do termo) tem um conjunto de ideias e preconceitos que derivam apenas da sua vivência até, suponho, a um nível algo inconsciente, que o guiam na sua acção até que ao tomar consciência que o rei vai nu, ou seja, que o que verdadeiramente defende são coisas como a tradição e o emocional. Esta situação não cai bem ao técnico, pela sua própria formação, e ele vai tentar dar sustância a essas tradições através da técnica. O resultado é sempre o mesmo: a ferramenta não foi desenhada para isso e prova ser ineficiente produzindo visões deformadas da realidade. Mas o pior é que o técnico não se dá conta disso, sente-se de tal forma confortável com a técnica e com a tradição que o mutante que resulta da fusão das duas lhe parece algo belo e perfeitamente encaixado na lógica mecânica da técnica ao mesmo tempo que salva a dignidade da tradição afirmando que esta sempre teve razão para existir.

Enfim, a ultima coisa que precisamos é de novos profetas da técnica. Pior ainda, profetas da técnica que nem percebem que o são.

Os crentes da negação

Há algo de verdadeiramente bizarro na maioria dos cristãos, pelo menos naqueles que fazem finca pé na coerência das suas crenças. Por um lado proclamam a doutrina de um tal Cristo (figura, na minha opinião, de dimensões puramente mitológicas) mas por são perfeitamente incapazes de a viverem.

Explicando melhor: escolheram para guia da sua vida uma doutrina que proclama a fraqueza como virtude, que defende a moral da negação e da submissão e no entanto esses cristãos "militantes" são os primeiros a saltar para a ribalta para defender precisamente o oposto: o deus que se quer de estado, a moral que se quer universal na sua castração do poder do indivíduo – parecem deliciar-se não só na sua própria submissão mas muito mais com a dos outros.

Mas é claro que o deus desta gente é uma entidade perversa que mais que pessoal é essencialmente punitivo. Pune quem é forte, pune a diferença, pune o amor não diluído (nesse caldo morno que se chama fraternidade), é disto mesmo que nos fala o "profeta":

"Imaginou-se Deus como um contraste dos seus próprios instintos animais (do homem) e irresistíveis e deste modo transformou estes instintos em faltas para com Deus, hostilidade, rebelião contra o «Senhor», «Pai» e «Princípio do mundo», e colocando-se galantemente entre «Deus» e o «Diabo» negou a Natureza para afirmar o real, o vivo, o verdadeiro Deus, Deus santo, Deus justo, Deus castigador, Deus sobrenatural, suplício infinito, inferno, grandeza incomensurável do castigo e da falta. Há uma espécie de demência da vontade nesta crueldade psíquica. Esta vontade de se achar culpado e réprobo até ao infinito; esta vontade de ver-se castigado eternamente; esta vontade de tornar funesto o profundo sentimento de todas as coisas e de fechar a saída deste labirinto de ideias fixas; esta vontade de erigir um ideal, o ideal de «Deus santo, santo, santo», para dar-se melhor conta da própria indignidade absoluta... Oh, triste e louca besta humana! "(1)

Não se trata apenas de um castigo auto-imposto, é mais que isso. É um instinto uniformizador de quem é vulgar. É a afirmação da impotência em ser e em criar e a necessidade de impor essa mesma esterilidade a tudo o que se mexe.

Ingénuo aquele que acredita no deus amor
Irresponsável aquele que não compreende o seu próprio deus
Tolo aquele que se deixa moldar pela negação dos outros
(1)- Friedrich Nietzsche, A Genealogia da Moral

Saturday, November 19, 2005

Vítimas da incorrecção

Hoje houve mais uma vítima do politicamente incorrecto. Essa praga, essa doença intelectual que avança até aos lugares mais (ou menos...) insuspeitos. Trata-se de uma patologia tramada, caem que nem tordos.

Este é um mundo cheio de "mauzinhos" e "rebeldezinhos" e outros “inhos” que constituiem um verdadeiro rebanho de ovelhas raivosas... e todos eles ficariam aterrorizados ao menor sinal de um verdadeiro lobo.

O sucessor

De Theo Van Gogh escreveu e vai rodar um filme que é a continuação daquele que causou a morte ao realizador holandês (assassinado por um fanático islâmico em plena luz do dia).

O novo projecto vai falar do ódio doentio que o islão nutre pelos homossexuais. Espera-se que desta vez o autor consiga sobreviver. Em boa verdade diga-se que a mesma psicose afecta mais grupos que os islâmicos... mas esses já têm lugares institucionais para proteger e "legitimar" as suas posições.

Friday, November 18, 2005

Lições sobre o poder I

Independentemente das considerações que se possam tecer sobre o comportamento e ideias da Igreja Católica a verdade é que a sua história é a uma verdadeira lição sobre a aquisição e manutenção de poder por parte de uma organização.

Neste extracto Bertrand Russel (que será um dos melhores guias ao abordar este tema no futuro) elabora o porquê do fiasco das tentativas, no Ocidente, de subordinar Igreja de forma completa ao estado:

"First, the papacy was not hereditary, and was therefore not troubled with long minorities, as secular kingdoms were. A man could not easily rise to eminence in the Church except by piety, learning or statesmanship; consequently most popes were men considerably above the average in one or more respects. Secular sovereigns might happen to be able, but were quite often the reverse; moreover they had not the training in controlling their passions that ecclesiastics had. Repeatedly, kings got into trouble from desire for divorce, which, being a matter for the Church, placed them at the mercy of the pope. Sometimes they tried Henry VIII’s way of dealing with this difficulty, but their subjects were shocked, their vassals were liberated from their oath of allegiance, and in the end they had to submit or fall. "(1)


O que podemos retirar daqui:

- Organizações que promovem a mérito no seu interior (ainda que de forma necessariamente imperfeita) têm melhor possibilidades de ter as pessoas certas nas posições certas.

- Quando a nossa autoridade depende do consentimento de terceiros (de forma mais ou menos directa toda a monarquia assenta no direito divino a governar, ou seja, está depende da hierarquia religiosa) estamos sempre nas mãos deles.

- As crenças dos subordinados são importantes na medida que determinam o seu comportamento, em especial a sua definição do que é tabu.

- O “poder espiritual” (em especial aquele que ainda não caiu na decadência), apesar das suas afirmações de preocupação com o que não é deste mundo, é algo tão perigoso para um governante como qualquer inimigo político ou exterior.
(1) - Bertrand Russell, Power, cap. 4 - priestly power

Saturday, November 05, 2005

Cedências

A minha opinião quanto ao que se está a passar em França e na Dinamarca é a mesma que já expressei noutro dia sobre um tema ligeiramente diferente. Não podemos ceder a quem quer fazer as nossas sociedades regredir até estarem ao nível das dos seus países de origem. É nestas alturas que temos que perceber que não se pode negociar com quem quer pôr o nosso mundo a ferro e fogo.

Falta de educação

Admitindo à partida as grandes dificuldades na implementação de qualquer política de educação sexual, convém dizer que isto é uma farsa!

Educação para a saúde... o que raios é isso??? Educação cívica??? Isso alguma vez funcionou??? Mas o que vale é que religião e moral está mais que assegurada... (o santo compadrio da religião-ensino continua a funcionar)

Sim é verdade que é pouco claro até onde pode ir um programa de educação sexual e decidir quem o deve ensinar e como o deve fazer também não tem nada de simples, mas o que está previsto actualmente é uma treta, ponto final.

Se não têm a coragem de criar uma política decente nesta área então mais vale ficarem quietos em vez darem mais provas de cobardia (provas essas que não são necessárias, depois de insistir em manter o aborto como uma questão de referendo ficou tudo dito).

Friday, November 04, 2005

Mais autonomia

É o que Alberto João reclama para a região autónoma da Madeira (tradução para o mundo real: Alberto João faz barulho porque provavelmente quer mais fundos ou uma qualquer benesse). A minha sugestão é que lhe seja concedida a autonomia, de preferência com orçamento próprio auto-sustentado.

Thursday, November 03, 2005

Diplomacia do orgulho e da necessidade

Numa altura que os EUA já esgotaram quase toda a credibilidade internacional de que dispunham (a guerra de agressão, os escândalos envolvendo abusos a prisioneiros,...) e em que a opinião pública doméstica parece não estar disposta a aceitar mais política feita à “ponta da espada” (leia-se: acções que causem mais baixas americanas) a administração Bush torna-se civilizada e dá o dito por não dito e volta a colaborar com a velha Europa (expressão deliciosa, mas não no sentido que um Rumsfeld de vistas curtas pretendeu originalmente dar-lhe) para resolver importantes questões internacionais.

Parece que a política diplomática unilateral americana foi de vida curta...

Admito que como europeu me dá um certo gozo (algo perverso admito...) ver a soberba americana castigada de forma tão clara. Mas independentemente disso é preciso manter a mente clara o suficiente para saber ver quando os interesses europeus coincidem com os americanos e saber colaborar se for necessário. Cair num anti-americanismo que rejeita o diálogo e a colaboração é contraproducente.

Chantagem

É o que o novo executivo do Irão tenta fazer com o Ocidente. Através da remoção do pessoal diplomático que não segue a sua linha ultra-radical (que incentiva o terrorismo e o anti-semitismo primário) e com a suas posições intransigentes no plano nuclear.

É o velho jogo de tentar marcar uma posição de força, seja à custa de que argumento demagógico for (o “satã” americano/ocidental, Israel...), para assim melhorar o seu poder de negociação em outros assuntos como a produção de energia atómica ou a manutenção do desrespeito pelos direitos individuais – um traço característico do governo de Teerão.

Cabe ao Ocidente não ceder um centímetro a estas ameaças teocráticas, não ir no bluff de uma nação extremista que é um dos principais responsáveis pela instabilidade na região.

Wednesday, November 02, 2005

Desintegração

Do governo alemão mesmo antes de entrar em funções. Como já tinha afirmado várias vezes a coligação alemã não vai resistir por muito tempo (assim pensam também a maioria dos alemães que não acreditam que ela dure o mandato completo).

Mesmo que o processo inicial comece a correr melhor a partir de agora a verdade é que qualquer governo que daí resulte não vai ter o apoio político suficiente para implementar nenhuma das reformas que o sistema económico e social alemão precisa para recuperar a sua força (especialmente no plano do crescimento económico).

Este governo oferece apenas um período de espera até que os alemães decidam claramente o rumo que querem tomar.