Friday, September 30, 2005

Teste político

Como última acção antes de pegar nas malas e viajar resolvi fazer o teste político sugerido pelo Filipe Alves. Eis os resultados:

You are a


Social Liberal
(80% permissive)

and an...

Economic Conservative
(73% permissive)

You are best described as a:

Libertarian




Link: The Politics Test on Ok Cupid
Also: The OkCupid Dating Persona Test

Mini férias

Vou de fim de semana para longe do meu pc e como tal não devo cá escrever nada até 2ª feira. Um óptimo fim de semana a todos.

Expansão Europeia

Pior que do que admitir na UE uma Turquia que ainda não está completamente europeizada é rejeitar a sua candidatura linearmente.

Os turcos desenvolveram sérios esforços para se adaptarem e se se mostrarem dispostos a continuar esse percurso não existem razões válidas para os manter fora do clube. É claro que o tempo de espera para a adaptação da Turquia servirá também para a “absorção” dos novos 10 países de leste cujas economias (e principalmente os seus sistemas sociais) ainda não estão integrados.

O que não ajuda ao sucesso deste processo é ouvir as eternas vozes racistas europeias (mas atenção que nem todos os que se opõem à adesão da Turquia o fazem por fobias raciais) ou as interferências de estados exteriores à UE como os USA que se acham no direito de pressionar a União quanto aos membros que admitem.

Wednesday, September 28, 2005

Sobre o messianismo

"The meek shall inherit the Earth, but not its mineral rights." - J. Paul Getty

Civismo e educação

No Respublica tem-se dado uma interessante discussão sobre os valores actuais e as alterações em relação ao passado. Respondendo ao último post do Filipe Alves:

Primeiro o Filipe fala do “cool”, da falta do mais simples civismo em muitos das gerações mais novas e quanto a isto eu tenho dois pontos a focar.
1) Os jovens guiam-se por e emulam referenciais (sendo estes providenciados pela sociedade e mais imediatamente pelos pais) e por isso se realmente a maioria dos jovens são assim hoje é porque não existiu ninguém próximo deles (família) de outras gerações que lhe apontasse o erro (porque se calhar eles próprios não vêem essas acções como erros...).

2) Quanto a exemplos fora da família o caso é diferente. A sociedade não dá valor às coisas que eu pessoalmente acho que devia dar (ex: achamos perfeitamente normal que modelos e futebolistas sejam exemplos para a juventude quando, na minha opinião, os jovens deveriam olhar mais para os empresários, os eruditos, etc). Mas mais uma vez esta idolatria pelo supérfluo e/ou inútil não é de hoje, sempre cá esteve.
Depois fala-se sobre o arrependimento. Aí concordo com o que é dito pois é evidente que todos já errámos e em algum momento das nossas vidas já perdoámos e fomos perdoados.

Em conclusão, não sei se acredito que a nova geração seja “pior” em civismo do que as que a precederam. O que me sinto mais inclinado a acreditar é que o nível será mais ou menos o mesmo de sempre, o que acontece é que numa sociedade menos repressiva as pessoas tendem a dar voz a essas “maneiras” (ou falta delas). Qualquer mudança séria deste estado de coisas para uma situação melhor vai ter primeiro de se reflectir na escolha de referenciais dos jovens.

O aborto e o referendo

Primeiro convém dizer que considero positivo que finalmente se torne a escolha livre em vez de se impor códigos de conduta que de universais ou técnico têm pouco (isto se o sim ganhar e se o referendo chegar a ser válido...).

O segundo ponto a referir: discordo do método como esta alteração vai ser feita. A lei cria-se por razões especificas e claras e não porque ligeiramente mais de 50% dos eleitores concorda com algo.

Por esse princípio qualquer coisa poderia ser aprovada desde que contasse com um amplo apoio popular. Mas neste caso não se trata de um excesso de zelo dos políticos portugueses na aplicação da democracia mas sim de cobardia pura e simples. Dão a escolha ao povo e lavam daí as suas mãos, conseguindo assim agradar a gregos e troianos sem se comprometerem com nenhum dos lados.

Monday, September 26, 2005

Navio dos loucos


“Navio dos loucos” – Hieronymus Bosch

Previsibilidade

O perdão da dívida aos países mais pobres é, na minha opinião, um acto essencialmente de Relações públicas, para inglês (ou americano) ver. O desaparecimento das dívidas em questão vai sem dúvida libertar muito capital que pode ser usado para o investimento (anteriormente seria usado para pagar a dívida e os seus juros) mas a verdade é que no campo não existe nada preparado para tirar vantagem desta oportunidade extraordinária.

Não existe um plano que diga como se pensam investir os 55 mil milhões de dólares libertos (plano esse que como é claro deveria estar sujeito a escrutínio publico internacional e à aprovação das nações detentoras das dívidas). Nem sequer existem requerimentos de transparência credíveis na contabilidade dos beneficiários.

A corrupção omnipresente no nos países perdoados vai-se encarregar de fazer esses fundos desaparecer para as contas de presidentes, ministros, generais, funcionários públicos, etc. Uma oportunidade para fazer algo de realmente positivo deitada pela janela por falta de senso comum e planeamento.

A Europa e o seu modelo de crescimento

É muito fácil cair nos dois extremos quando se analisa a economia Europeia e as circunstâncias sociais envolventes. Para uns é claro como a água que a Europa é superior aos EUA já que se beneficia de uma qualidade de vida mais alta (trabalha-se menos horas diárias, mais férias, cuidados de saúde universais...) para outros o défice de produtividade europeu é de tal forma importante que tudo o resto é de pouca importância.

Os dois estão certos, na Europa goza-se em média de uma qualidade de vida superior mas existem graves problemas actuais que se não resolvidos hoje irão aumentar exponencialmente. Os privilégios sociais continuaram a aumentar mesmo quando a produtividade já não o fazia, isso combinado com uma certa tendência para uma má (ou tardia) adaptação à mudança criou graves aflições à economia europeia.

Ao contrário do que é afirmado por muitos não acredito que a União Europeia seja a fonte dos problemas actuais, muito pelo contrário. A União Europeia pode ser o motor que “force” as reformas que quase todos os estados europeus precisam mas não conseguem aplicar por dificuldades políticas locais (como se viu há muito pouco tempo no caso alemão).

Creio que é possível ter o melhor dos dois mundos.


Nota: uma excepção da utilidade da União é a infame PAC, esse dinossauro que está à espera do abate há décadas.

Sunday, September 25, 2005

Cepticismo saudável

Porque não confio na vontade popular: populismo autoritário.

A falta de fibra dos representantes da democracia e/ou república faz os totalitarismos simplistas parecerem enormemente apetecíveis ao Homem comum – especialmente quando jogam com os seus preconceitos e medos.

Flagelos

Exposição de obras ocidentais (com nomes como Renoir, Warhol, Picasso e Bacon) causa furor em Teerão. Algumas das obras ou não puderam ser expostas ou foram retiradas (provavelmente destruídas pelos “guardiões da moral”).

“The sign of a Philistine age is the cry of immorality against art.” - Oscar Wilde

O Iraque e as percepções do poder

Haverá forma mais fácil de iniciar uma conversa acesa do que falar do Iraque? Eu penso que não. A guerra foi iniciada sob pretextos falsos no que se pode chamar uma guerra de agressão, mas agora a grande questão é saber o que se faz com um Iraque ocupado? Para os que ainda não digeriram a fraude da invasão a reposta é a retirada imediata pondo fim às baixas humanas e aos custos astronómicos. Para outros parece-lhes essencial a manutenção da ocupação para impedir que se crie uma teocracia anti-ocidental como no Irão e manter o controle das reservas de petróleo.

Seja como for que este filme termine o Iraque vai ser pelo menos uma semi-teocracia (a constituição é islâmica e as leis que daí virão são previsíveis) e a estabilidade vai continuar a ser por muito tempo uma miragem derivada do desespero. Não existem saídas à vista para este atoleiro.

O “nation building” salda-se por um fiasco de proporções épicas. É por estas e por outras que eu prefiro a forma Europeia de lidar com estas situações: é melhor para todos usar o “soft power” do que um conflito aberto.

Saturday, September 24, 2005

Da moral e dos moralistas

"The people who are regarded as moral luminaries are those who forego ordinary pleasures themselves and find compensation in interfering with the pleasures of others." - Bertrand Russell

Perguntas e Respostas I

P: O que acontece a conservadores que já não conseguem suportar o estigma que as suas ideias implicam?

R: Tornam-se “liberais” (cof, cof... ) e dão voltas bizantinas ao texto para tornar as suas antigas fobias e preconceitos algo de perfeitamente louvável e novo. A simples defesa do mercado (e nada mais) é um acto estéril.

Friday, September 23, 2005

Comissões, arranjos e ineficiência

PSD propõe a criação de comissões para analisar os investimentos públicos.

A última coisa que o país precisa são mais comissões! A comissão é a forma política elegante de não se fazer nada quanto ao assunto (criando ao mesmo tempo ocupação para meia dúzia de amigos e conhecidos) mas poder dizer publicamente que o assunto foi analisado exaustivamente por uma comissão acreditada.

As comissões funcionam mal em termos internos, são morosas, ineficientes e muitas vezes o que está em causa não está em nada relacionado com o projecto em análise (as guerrinhas pessoais do costume...). Não seria muito melhor criar critérios de sucesso ao iniciar qualquer projecto público (com uma clara definição de meios, método e objectivos - definições essas estabelecidas por técnicos e não por políticos) e no fim comparar o comportamento real com o previsto? E não seria também boa ideia deixar a todos os níveis envolvidos pessoas que fossem pessoalmente responsáveis pelas suas respectivas áreas para que na hora da avaliação de um projecto desastroso (como muitos são) a culpa não morresse solteira?

Thursday, September 22, 2005

Demagogia a peso de ouro

Segundo o Banco de Portugal o Endividamento autárquico sobe...

Para financiar a demagogia dos autarcas a factura continua a subir... Fazer obras de último minuto para encher os olhos a uns quantos, os projectos que não foram feitos durante o mandato inteiro são apressados para ver se existe algo para apresentar aos munícipes. O poder local em Portugal, na generalidade, é um asco e estes números são um sintoma disso.

Da necessidade de mudança

Existem dois tipos de mudança social e política possível: a revolucionária e a que parte do sistema. O grande debate é sempre sobre qual é que é preferível.

A revolucionária é propícia à instabilidade, ao caos, aos abusos dos líderes e seguidores da revolução (muitos inimigos políticos e privados tendem a “desaparecer”), o que tudo somado só aumenta a influência dos sectores autoritários (dos dois lados).


A que vem do interior do sistema regra geral, se não existir um elemento de pressão exterior, tende a ser ineficaz já que os grupos representados no poder preferem a manutenção da sua situação (traduz-se em reformas que produzem mudanças estéticas mas sem significado real).

Entre estes dois tipos existe o chamado ponto de rotura em que o diálogo entre os dois lados se torna impossível.

Não acredito que em qualquer situação histórica alguma vez tenha ocorrido um verdadeiro equilíbrio entre as duas posições, ou que isso sequer seja sempre desejável...

Wednesday, September 21, 2005

"Angústias existenciais" nocturnas

Será que entre a existência dos condicionamentos biológicos, os do meio e o acaso sobra algum espaço de manobra para poder acreditar na liberdade de escolha?

Utilidade

"Sócrates promete aumentar qualificações de um milhão de portugueses até 2010"

Eu tenho algumas perguntas quanto a estas intenções... qualificações em que área? Estará o governo central em posição de definir o que é que o mercado pode necessitar? Não serão estas medidas apenas a continuação do sistema de educação acéfalo que já existe (em que não existe uma relação realista entre oferta e a procura de qualificações)? Não seria altura de começar-mos a formar alguns empreendedores de pequena escala nestes programas?

Tuesday, September 20, 2005

Atestado de incompetência

“União Europeia formaliza plano para redução do défice excessivo português”

Não me digam que é preciso ir chamar o FMI para ensinar aos políticos portugueses como se equilibram orçamentos????

Não vou votar

O titulo deste post bem podia ser “porque me estou a borrifar para as presidenciais”. É um assunto que não me diz rigorosamente nada, os dois candidatos reais, Cavaco e Soares, não vão trazer qualquer solução para a actual situação nacional. E não digo isto só por não ser de nenhum dos seus partidos, digo isto porque a função do presidente da república não é dirigir o país nem arranjar soluções milagrosas para uma economia doente, é na melhor das hipóteses ser um árbitro na pior um empecilho e na maioria das vezes acaba por ser simplesmente inútil.

O cidadão tem que deixar de estar à espera de grandes soluções que venham de “cima” porque elas não vão ocorrer, nem hoje, nem depois da eleição nem nunca. A solução está na valorização da iniciativa privada.

Boa disposição matinal

"Life is full of misery, loneliness, and suffering - and it's all over much too soon. " - Woody Allen

Monday, September 19, 2005

Introduções

E cá está ele, o meu espaço pessoal na net, pronto a ser usado por mim e todos que por aqui passem. Não tenciono ser constante na abordagem temporal ou nos temas de que falo. Como é óbvio serão assuntos que me interessam pessoalmente que vão ocupar estas “páginas”, com o tempo todos irão perceber quais são. Para já só tenho uma coisa a dizer: sejam bem vindos.