Coisas que eu podia ter dito
Se este é o circo onde está o pão? - Esquerda Republicana
Disparates patológicos da Lúcia de calças - Devaneios Desintéricos
Postais de Portugal - armadilhaparaursosconformistas
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Não é que numa época destas ainda há alguém no ministério da defesa ou na hierarquia militar que pensa que é boa ideia estoirar uns milhões de euros em mais material bélico para o qual não temos uso????
Ou seja, traduzindo a situação: há alguém no ministério da defesa e na marinha que está com uma vontade louca de receber umas luvas. Não existindo mínimo interesse no como pagar e na escolha de uma péssima altura.
Entre burocratas desejosos de embolsar e soldadinhos de chumbo que querem brinquedos novos ficamos mal servidos.
Uma das poucas medidas boas que vejo o governo do PS tomar: excluir a Igreja Católica do protocolo de Estado.
Já não era sem tempo que se acabasse com esta situação de privilégio por parte da Igreja, ao fim de 30 e tantos anos de democracia (mais ou menos disfuncional) alguém resolveu cortar com os laços religiosos estabelecidos no tempo da outra senhora.
Obviamente que não devemos ser induzidos em erro por opiniões que indicam que se trata de uma questão de respeito ou pior ainda: de representatividade dos católicos.
1) Não se trata de uma questão de respeito da República por uma instituição milenar por várias razões:
a) A Igreja nunca mostrou a mais pequena simpatia pela República: traiu-a por várias vezes depois da revolução de 1910 e vendeu-a ao totalitarismo fascista com a promessa de monopólio espiritual. Depois da revolução de 1974 foi sempre uma força de regressão e estagnação social.
b) O “respeito” tem muitas interpretações, começando por uma interpretação secular e religiosa tolerante e terminando na interpretação religiosa rigorista. A primeira implica que se compreende que o que pessoas livres decidem no campo da religião só a elas diz respeito, o estado nem aprova nem desaprova, simplesmente abstém-se de tomar posição - este modelo permite a convivência pacífica de várias crenças. A segunda, preferida pela Igreja Católica, significa que se deve fazer o que a Igreja diz e quer ou então está-se a violentar a livre vontade religiosa - esta opinião é manifestamente hipócrita por que voluntariamente confunde o que é público ou estatal com o que é individual.
c) O facto de ser antiga não lhe deve conceder privilégios num sistema de liberdade religiosa.
2) Pegando no outro ponto, a representatividade dos católicos:
a) O objectivo do protocolo de estado é representar os órgãos desse mesmo estado e não organizações que lhe são exteriores, independentemente da sua representatividade em diversos campos (religioso, cívico, desportivo...).
b) Se os católicos são representados os muçulmanos também têm o mesmo direito e os judeus também e sem esquecer os movimentos neo–pagãos (mais uma vez, assumindo que o desejável é um regime de liberdade e igualdade religiosa).
c) Os que não pertencem a uma religião como é que ficam? São representados por freguesia? Por clube de futebol?
Parece-me ainda importante fazer umas notas quanto à representatividade da Igreja Católica. Penso que é uma organização que sabe jogar com os números e apesar de saber que eles não correspondem à realidade usa isso como arma política:
1) Muitos baptizam as suas crianças e nunca mais pensam no tema da religião, dizer que essa criança é um católico é um exercício de pura imaginação. A religião é para a maioria uma questão de folclore e não de crença ou vivência.
2) A esmagadora maioria dos que se dizem católicos apenas o são de uma forma nominal já que: a) Não possuem o mais básico conhecimento sobre a religião que professam (como se pode ser um crente a 100% se não se sabe exactamente aquilo em que se acredita?) e b) Ignoram a Igreja católica nas suas escolhas pessoais, indo em contra a “sua” própria doutrina.
Depois disto resta-me acrescentar que para o nosso regime de liberdade religiosa ser mais autêntico tem que se acabar com outras duas figuras:
1) A concordata, o último vestígio do estado novo.
2) A Comissão de Liberdade Religiosa, para uma autêntica liberdade religiosa não podemos ter membros de umas quantas religiões a julgar todas as outras.
À família, amigos e restantes simpatizantes do PP (ou CDS, ou como preferirem): o partido é irrelevante e completamente impermeável a mudanças de atitude. O PP é daquelas instituições políticas que devia receber uma nova designação para a enquadrar com a realidade do que defende: lobby dos industriais nacionalistas quando nos convém ou grupo de pressão conservador.
Mas também não é nada que não soubessem já. A inocência já morreu há tanto tempo mas ainda há quem se agarre desesperadamente ao cadáver. Começa a cheirar mal...
Seguindo conselho que me deram volto ao tema da educação. A educação superior é realmente suposto ensinar mais que um conjunto de técnicas e procedimentos específicos de uma dada profissão. Uma das suas maiores vantagens seria, teoricamente, proporcionar uma maior independência e agilidade mental - em resumo: ampliar horizontes e pensamentos.
Há cursos e áreas que se adaptam mais a isto que outros. Os que são eminentemente técnicos (engenharias, saúde e afins) regra geral são aqueles em que se torna mais complicado inserir um conteúdo extra técnico, algo que provavelmente se assemelharia a uma componente de ciências humanas. O que é preocupante é que nem nas áreas das ciências humanas parece existir pensamento por parte do corpo académico e principalmente por parte dos estudantes. O que vemos é estudantes que, para além de não terem (na sua maioria) nenhuma paixão pelas áreas que estudam, não fazem rigorosamente mais nada do que aquilo que for exigido para o exame.
Sem querer ser “médico” e diagnosticar os males do paciente gostava de deixar algumas notas sobre o que leva a isto:
1) O conteúdo de ciências humanas no ensino não universitário é medíocre, regra geral limita-se a uma perspectiva histórica das disciplinas sem incidir muito nas questões básicas.
2) O debate não é incentivado, é um dos problemas de um ensino derivado da era industrial, parte do principio da passividade do aluno (o ouvir, calar e repetir tudo no exame).
3) A falta de um sistema que detecte e direccione o talento numa fase inicial. O que leva a maioria dos alunos a andar no ensino porque não têm nada melhor para fazer da vida. Não sabem o que querem ou o que não querem, andam de situação em situação até a coisa se ajeita (incluindo a escolha de curso e área profissional).
4) A própria falta de ética por parte dos professores universitários que muitas vezes confundem as aulas das suas matérias específicas com aulas de ideologia (ainda me lembro de ter a infeliz ideia de um dia ir à Católica ver um discurso do César das Neves... doutrinação do princípio ao fim – e o mais triste é que ele até podia ter justificado algumas das suas posições de forma sólida, mas para isso era preciso ter o desejo de ser intelectualmente honesto e racional em vez de dar discursos retóricos a uma manada que aplaude tudo o que se disser).
5) A percepção de que ser licenciado é sinal de qualidade intelectual. Não é! Um bom intelectual não precisa de um diploma académico (pode ser autodidacta), precisa é de ser rigoroso e de saber pensar por si próprio. Este síndroma de superioridade leva a uma falsa confiança que se esvaí na primeira conversa séria que estes licenciados tiverem com alguém que perceba do tema.
Bem isto podia continuar por muito muito tempo mas sinceramente falta-me a paciência para ser exaustivo. Apenas fico contente por ter tido dois grandes professores de liceu (de filosofia e literatura) que me ensinaram a ver o mundo por muitas perspectivas e que me ajudaram a dar os primeiros passos no pensamento autónomo.
Questões extra para quem quiser partir a cabeça e perder o juízo:
- Porque que é que pensamos que um sistema de educação completamente derivado de sistemas de produção em massa da era industrial produziria bons profissionais e acima de tudo bons pensadores?
- Porque que é que pomos a nossa educação superior nas mãos de políticos reformados que se tornam professores de universidade e de "yes men" que aceitam tudo o que for posto à sua frente (o que significa que nunca serão uma ameaça para ninguém)?
- Se o estudante nunca na vida académica esteve motivado para nada porque haveria de se tornar num excelente profissional?
- Como se pode esperar que os jovens sejam extraordinários se aqueles que mostram potencial são “sufocados” pelos cretinos que estão à frente das instituições? (isto acontece por vezes porque os jovens significam mudança ou uma alteração do status quo mas principalmente porque regra geral são melhores profissionais que ameaçam expor a incompetência de lambe botas e políticos de terceira categoria que se engraçam perante os poderes)
- Como é que o ensino pode mudar radicalmente para lidar com o mundo e com as alterações em cada área específica se à frente dos departamentos universitários se encontram, muitas vezes, dinossauros inflexíveis que definem tudo em questões de ego e de penacho e para quem um bom professor tem que ter pelos menos 40 e tal anos no mínimo? O que aconteceu ao amor ao conhecimento que é suposto definir o ensino?


Dois filmes realmente assustadores (pessoalmente o JFK é bastante melhor). Entre a ficção, as teorias da conspiração e a realidade do que se passou ou do que vivemos hoje em dia é complicado destinguir qual é pior.
Para os crentes do mundo cor de rosa que poderão ficar perturbados este blog pede desculpas e promete regressar à emissão normal dentro de momentos (não que isso os ajude muito...)
As novidades que os jornalistas nos trazem de vez em quando atingem um nível chocante. Quem haveria de dizer que ditadores, proto-ditadores, oligarcas corruptos, fanáticos e movimentos armados seriam contra a liberdade de expressão? Ainda estou a decidir se esta "descoberta" é um acto de uma classe inteira a olhar para o umbigo ou se realmente queriam chamar a atenção para algo que não se soubesse já.
Pelo menos é o que se subentende neste post. A visão unilateral é uma forma de cegueira.
Com escândalos sucessivos, muito mal geridos, e uma atitude que não percebe os novos tempos. Não é que seja grande fã dos trabalhistas (prefiro de longe os Liberais Democratas) mas isto significa que os conservadores, que já fizeram um “face lifting” para esconder o mofo das suas posições, começam a estar melhor colocados para assumir o poder.
Era simpático que os eleitores castigassem os dois maiores partidos votando Libdem na próximas eleições, é que ambos merecem apanhar nas orelhas. Os trabalhistas porque descambaram no plano da guerra e da honestidade interna (ainda me lembro de assistir a um debate com Blair a ser alvo de críticas violentíssimas, e acertadas, por parte de muitos jovens) e os conservadores por serem a mesma coisa de sempre mas com uma cara mais airosa, como se um look pudesse mudar o seu coração.
Uma das coisas que faço de vez em quando é dar uma volta pelos blogs religiosos que por aí andam para ver o que é dito e pensado por esse sector. Isto sendo Portugal é bastante claro que a maioria dos blogs desta categoria são católicos, o que retira bastante interesse à actividade - se estivesse interessado em ouvir repetições das opiniões do Vaticano ligava a tv em vez de usar a net.
Mas de qualquer forma, de tempos a tempos, lá vou eu ver o que se passa com as vozes religiosas nacional e desta vez encontrei algo que me fez lembrar várias razões pelas quais não tenho qualquer simpatia com o cristianismo. Bastou uma palavra: evangelização. Só a palavra em si mesma é um atestado de arrogância que só poderia vir de uma mentalidade dominadora. Não se fala em discussão entre crentes ou entre crentes e descrentes. Fala-se sim em conversão em massa.
Não é a cúmulo da arrogância supor que os outros não meditaram as suas posições religiosas e que devem ser alvos de tentativas de conversão? Não será o cúmulo do pretensiosismo falar em revelar verdades, livre arbítrio e todo o repertório missionário quando a prática desta religião inclui “ensinar” as verdades da fé a crianças (dificultando a livre escolha)? Obviamente que tudo isto passa completamente ao lado dos cristãos, pelo simples facto de que sofrem de um complexo de superioridade derivado de duas coisas: 1) a própria natureza do monoteísmo aponta para a visão única e superior do crente face aos outros (talvez seja isto que permite aos diferentes monoteísmos participar no diálogo religioso) e 2) um passado agressivo em que as culturas com crenças religiosas diferentes foram sucessivamente dominadas e destruídas, o que levou à expansão do seu modelo religioso.
Eu próprio sou um curioso das religiões, da sua história, dos seus ritos, das suas ideias e posso com toda a certeza dizer que as religiões do livro seriam as últimas que eu escolheria para mim mesmo.
É precisamente isso que neste momento os deputados querem fazer de todos nós. No fim desta coisa ainda vão exigir que se lhes agradeça pessoalmente o facto de terem faltado um dia antes de começarem as férias de páscoa. A única coisa a concluir é que os actuais representantes políticos não têm o mais pequeno sinal de dignidade de estado, além de não saberem o que a palavra ética quer dizer.
Quem perde o respeito do seu povo perde a capacidade para liderar. É a diferença entre ser líder institucional (ou seja, cujo poder deriva de ocupar uma posição hierárquica) e ser um verdadeiro líder (porque consegue que outros o sigam). Infelizmente há algo que me diz que explicar os “finer points” da liderança aos actuais deputados é um desperdício de tempo.
O menino do papá insulta o rato de sacristia (e vice versa).
As tontices de duas instituições (e dirigentes) ineficientes que não se souberam expandir e que correm agora o risco de serem compradas por um qualquer banco estrangeiro. O bom desta situação é que permitirá aos novos donos fazer uma profunda limpeza aos quadros e limpar os amigos, família e companheiros da obra. Pode ser que assim o mérito se torne mais importante, talvez até se crie uma nova tradição.

Com este cenário estou a ver que os ecologistas vão ter que pedir ajuda a este senhor.